Viseu, capital de distrito, cidade antiquissima, parece remontar aos tempos proto-históricos tendo origem no núcleo castrejo situado no alto do monte onde se encontra a Sé Catedral.
Durante a dominação romana, Viseu era capital dum grande território, a Lusitânia, e um centro de grande importância.
No século VI, em 569, com o domínio suévico-visigótico é elevada a sede de diocese.
Posteriormente, alternou por diversas vezes entre o poder dos cristãos e dos árabes. No século IX foi conquistada por Afonso III, no final do século seguinte por Almançor, e em definitivo por Fernando I “O Magno”, em 1057. A sua importância estratégica foi muito cobiçada por todos. É assim que se assiste aos sucessivos ataques destes povos, o que provocou a sua inevitável destruição com a consequência da estagnação ou até mesmo recuo a nível urbanístico e económico.
Os Condes D. Henrique e D. Teresa, que ali residiram diversas vezes, concederam-lhe foral em 1123.
D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral novo em 1187, confirmado em 1217 por D. Afonso II.
Em 1385, Viseu foi atacada, saqueada e incendiada pelas tropas de Castela, vencidas em Aljubarrota. Depois deste ataque, D. João I fez iniciar a construção de uma muralha para defesa da cidade. Esta muralha foi terminada no reinado de D. Afonso V, de onde lhe vem o nome de “Muralha Afonsina”.
A partir do século XIV a cidade começou a desenvolver-se na parte alta, o que a levou a expandir-se para fora das muralhas e em direcção ao actual centro.
Em 1411, o Infante D. Henrique é 1º Duque de Viseu.
Em 1513, D. Manuel concede a Viseu foral novo.
Só no século XVI a expansão da cidade começa a atingir a actual zona central, o Rossio. A primeira referência que se conhece a este novo centro é de 1534. Em pouco tempo este novo centro começaria a ser o local de encontro da sociedade. Contudo, teriam que passar três séculos para se dar a transferência do centro da cidade da parte alta para o actual centro, onde é construída a Câmara Municipal.
No século XVI destaca-se um dos pintores mais importantes de Portugal, Vasco Fernandes mais conhecido por Grão Vasco, que deu origem a uma escola de pintura em Viseu. A sua obra está actualmente no museu com o seu nome, Museu Grão Vasco.
Do século XVII até ao século XIX a cidade vai singularizar-se com abundância tal de monumentos - capelas, igrejas, fontenários, solares - que bem poderia chamar-se “Cidade princesa do barroco”.
No fim do século abriram-se novas vias, a cidade alargou o seu leque, hoje em expansão valorizando-a o privilégio da localização central no planalto beirão, os foros administrativos de capital de província e cabeça de distrito, tornando-a obrigatório centro de convergência ou ponto de passagem que acarretaram uma feição comercial muito característica.
Viseu tem uma posição quase central em relação ao distrito e ao município localizando-se no designado “Planalto de Viseu”. É envolvida por um sistema montanhoso constituído a norte pelas serras de Leomil, Montemuro e Lapa, a noroeste a Serra do Arado, a sul e sudoeste as Serras da Estrela e Lousã, e a oeste a Serra que mais directamente influencia esta área, a do Caramulo.
O Município caracteriza-se por uma superfície irregular com altitudes compreendidas entre os 400 e os 700 metros.
Com um relevo acidentado apresenta numerosos cursos e linhas de água. De um modo geral estes organizam-se em três bacias: a do Vouga, a do Dão e a do Paiva. Outros existem, de menor caudal mas com certa importância, rio Pavia e rio de Mel.
O clima de Viseu caracteriza-se pela existência de elevadas amplitudes térmicas, com invernos rigorosos e húmidos e verões quentes e secos.
A maior extensão do Município é composta por granitos, sendo esta rocha a principal responsável na formação dos solos existentes.
Face a uma forte e generalizada emigração na década de 60, Viseu sofreu um acentuado decréscimo da população. Após o retorno dos emigrantes, dos retornados das ex-colónias e ao natural desenvolvimento económico, verificado a partir de finais da década de 70, o Município apresentou forte crescimento populacional. A população residente no concelho de Viseu é, hoje, de 93 041 (dados preliminares dos Censos 2001).
Em 1991, a população activa de Viseu correspondia a cerca de 249 300 residentes representando 62,7% da população.
Com o desenvolvimento sócio-económico, o sector terciário atinge 40% da população em 1991. O sector secundário representava 28,7% e o sector primário empregava 32,3%.
Quanto aos grupos de Profissões, o destaque vai para “Trabalhadores da Agricultura” com 26,7%, “Trabalhadores da Produção Industrial e Artesãos” com 19,7% e “Trabalhadores não qualificados da Agricultura, Indústria, Comércio e Serviços” com 18,9%.
O comércio foi sempre uma das actividades económicas mais importantes no progresso citadino.
A actual Rua Direita que atravessava a cidade de uma ponta à outra concentra uma grande parte do comércio e aí se podem ver exemplares de construções medievais e de outras, que formam uma mistura de estilos.
Existe indústria de madeiras, marcenaria, produtos resinosos, produtos alimentares, cerâmica, metalomecânica.
O Distrito de Viseu é o centro produtor dos famosos Vinhos do Dão e de Lafões.
As vias de comunicação terrestre e aérea têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento económico e social da cidade e de toda a região. Viseu situa-se no centro de duas importantes rodovias, sendo o cruzamento entre o IP3 que liga o porto marítimo da Figueira da Foz com a cidade de Chaves, e o IP5 que liga o porto marítimo de Aveiro com a fronteira de Vilar Formoso.
Com o desenvolvimento da região, também o nível de escolaridade da população tem aumentado. De acordo com a Direcção Regional de Educação, do Instituto Politécnico e da Universidade Católica, estavam matriculados cerca de 79 376 alunos nos diversos estabelecimentos do distrito em 1990/91. A partir desta data, verifica-se uma redução do número de alunos do ensino básico, com o encerramento de muitas escolas nos concelhos do interior do distrito.
Também a partir deste período aumentou o número de escolas e de crianças do ensino pré-escolar.