Projecto Educativo 2008/09 – 2010/11


INTRODUÇÃO

O Projecto Educativo da Escola deve ser entendido como uma opção de rumo para o trabalho a desenvolver, como quadro definidor da política educativa de uma Escola, que a identifica e lhe confere autonomia.

“A autonomia da Escola concretiza-se na elaboração de um projecto educativo próprio, constituído e executado de forma participada, dentro dos princípios de responsabilização dos vários intervenientes na vida escolar e de adequação a características e recursos da Escola e às solicitações e apoios da comunidade em que se insere.


Projecto Educativo traduz-se, designadamente na formulação de prioridades de desenvolvimento pedagógico, em Planos Anuais de Actividades, na elaboração de Regulamentos Internos para os principais sectores e serviços escolares.”

CONTEXTO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO DE VISEU

Viseu, capital de distrito, cidade antiquissima, parece remontar aos tempos proto-históricos tendo origem no núcleo castrejo situado no alto do monte onde se encontra a Sé Catedral.


Durante a dominação romana, Viseu era capital dum grande território, a Lusitânia, e um centro de grande importância.


No século VI, em 569, com o domínio suévico-visigótico é elevada a sede de diocese.


Posteriormente, alternou por diversas vezes entre o poder dos cristãos e dos árabes. No século IX foi conquistada por Afonso III, no final do século seguinte por Almançor, e em definitivo por Fernando I “O Magno”, em 1057. A sua importância estratégica foi muito cobiçada por todos. É assim que se assiste aos sucessivos ataques destes povos, o que provocou a sua inevitável destruição com a consequência da estagnação ou até mesmo recuo a nível urbanístico e económico.


Os Condes D. Henrique e D. Teresa, que ali residiram diversas vezes, concederam-lhe foral em 1123.


D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral novo em 1187, confirmado em 1217 por D. Afonso II.


Em 1385, Viseu foi atacada, saqueada e incendiada pelas tropas de Castela, vencidas em Aljubarrota. Depois deste ataque, D. João I fez iniciar a construção de uma muralha para defesa da cidade. Esta muralha foi terminada no reinado de D. Afonso V, de onde lhe vem o nome de “Muralha Afonsina”.


A partir do século XIV a cidade começou a desenvolver-se na parte alta, o que a levou a expandir-se para fora das muralhas e em direcção ao actual centro.


Em 1411, o Infante D. Henrique é 1º Duque de Viseu.


Em 1513, D. Manuel concede a Viseu foral novo.


Só no século XVI a expansão da cidade começa a atingir a actual zona central, o Rossio. A primeira referência que se conhece a este novo centro é de 1534. Em pouco tempo este novo centro começaria a ser o local de encontro da sociedade. Contudo, teriam que passar três séculos para se dar a transferência do centro da cidade da parte alta para o actual centro, onde é construída a Câmara Municipal.


No século XVI destaca-se um dos pintores mais importantes de Portugal, Vasco Fernandes mais conhecido por Grão Vasco, que deu origem a uma escola de pintura em Viseu. A sua obra está actualmente no museu com o seu nome, Museu Grão Vasco.


Do século XVII até ao século XIX a cidade vai singularizar-se com abundância tal de monumentos - capelas, igrejas, fontenários, solares - que bem poderia chamar-se “Cidade princesa do barroco”.


No fim do século abriram-se novas vias, a cidade alargou o seu leque, hoje em expansão valorizando-a o privilégio da localização central no planalto beirão, os foros administrativos de capital de província e cabeça de distrito, tornando-a obrigatório centro de convergência ou ponto de passagem que acarretaram uma feição comercial muito característica.


Viseu tem uma posição quase central em relação ao distrito e ao município localizando-se no designado “Planalto de Viseu”. É envolvida por um sistema montanhoso constituído a norte pelas serras de Leomil, Montemuro e Lapa, a noroeste a Serra do Arado, a sul e sudoeste as Serras da Estrela e Lousã, e a oeste a Serra que mais directamente influencia esta área, a do Caramulo.

O Município caracteriza-se por uma superfície irregular com altitudes compreendidas entre os 400 e os 700 metros.


Com um relevo acidentado apresenta numerosos cursos e linhas de água. De um modo geral estes organizam-se em três bacias: a do Vouga, a do Dão e a do Paiva. Outros existem, de menor caudal mas com certa importância, rio Pavia e rio de Mel.


O clima de Viseu caracteriza-se pela existência de elevadas amplitudes térmicas, com invernos rigorosos e húmidos e verões quentes e secos.


A maior extensão do Município é composta por granitos, sendo esta rocha a principal responsável na formação dos solos existentes.


Face a uma forte e generalizada emigração na década de 60, Viseu sofreu um acentuado decréscimo da população. Após o retorno dos emigrantes, dos retornados das ex-colónias e ao natural desenvolvimento económico, verificado a partir de finais da década de 70, o Município apresentou forte crescimento populacional. A população residente no concelho de Viseu é, hoje, de 93 041 (dados preliminares dos Censos 2001).


Em 1991, a população activa de Viseu correspondia a cerca de 249 300 residentes representando 62,7% da população.


Com o desenvolvimento sócio-económico, o sector terciário atinge 40% da população em 1991. O sector secundário representava 28,7% e o sector primário empregava 32,3%.


Quanto aos grupos de Profissões, o destaque vai para “Trabalhadores da Agricultura” com 26,7%, “Trabalhadores da Produção Industrial e Artesãos” com 19,7% e “Trabalhadores não qualificados da Agricultura, Indústria, Comércio e Serviços” com 18,9%.


O comércio foi sempre uma das actividades económicas mais importantes no progresso citadino.


A actual Rua Direita que atravessava a cidade de uma ponta à outra concentra uma grande parte do comércio e aí se podem ver exemplares de construções medievais e de outras, que formam uma mistura de estilos.


Existe indústria de madeiras, marcenaria, produtos resinosos, produtos alimentares, cerâmica, metalomecânica.


O Distrito de Viseu é o centro produtor dos famosos Vinhos do Dão e de Lafões.


As vias de comunicação terrestre e aérea têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento económico e social da cidade e de toda a região. Viseu situa-se no centro de duas importantes rodovias, sendo o cruzamento entre o IP3 que liga o porto marítimo da Figueira da Foz com a cidade de Chaves, e o IP5 que liga o porto marítimo de Aveiro com a fronteira de Vilar Formoso.


Com o desenvolvimento da região, também o nível de escolaridade da população tem aumentado. De acordo com a Direcção Regional de Educação, do Instituto Politécnico e da Universidade Católica, estavam matriculados cerca de 79 376 alunos nos diversos estabelecimentos do distrito em 1990/91. A partir desta data, verifica-se uma redução do número de alunos do ensino básico, com o encerramento de muitas escolas nos concelhos do interior do distrito.


Também a partir deste período aumentou o número de escolas e de crianças do ensino pré-escolar.


ENSINO VOCACIONAL DA MÚSICA

O ensino vocacional da música tem como objectivo proporcionar formação musical de elevado nível técnico, artístico e cultural, organizando-se para tal de forma sequencial desde o primeiro ciclo do Ensino Básico até ao nível Secundário.

É consensual o diagnóstico da convergência de duas procuras distintas: uma procura que pretende, apenas ou sobretudo, uma mais-valia pessoal, em termos de formação musical; e uma procura que se orienta pela aspiração a uma formação musical propriamente vocacional, para futura profissionalização.

No primeiro caso, procura-se uma formação especializada como amador e, no segundo, uma formação avançada para a proficiência na área da criação, da interpretação ou da pedagogia.


A satisfação de ambas pode e deve ser objectivo do ensino; mas convirá diferenciá-las. Porque uma coisa é oferecer uma resposta consolidada à procura de mais-valia pessoal, outra estruturar uma formação longa para a proficiência em Arte, com um nível de empenhamento e excelência qualitativamente diferente.

“A Música favorece o impulso da vida interior e apela para as principais faculdades humanas: vontade, sensibilidade, amor, inteligência e imaginação criadora. Por isso, a música é encarada como um factor cultural indispensável.”

Edgar Willems

ESTRUTURA DO ENSINO VOCACIONAL

INICIAÇÃO MUSICAL

Destinado a alunos do 1ºciclo do ensino básico, tem como currículo as disciplinas de instrumento, formação musical e classe de conjunto.

CURSO BÁSICO E SECUNDÁRIO

Divide-se em dois regimes: Articulado e Supletivo. O regime Articulado, é prestado em regime de gratuitidade (Portaria 1550/2002 - 26 de Dezembro, Despacho n.º 17932/2008 – 3 Julho de 2008). Destina-se a alunos que se encontrem a frequentar escolas públicas de ensino regular, ou de ensino particular com contrato de associação. A condição fundamental para o ingresso no Conservatório em regime articulado é a frequência de uma escola de ensino regular que tenha um protocolo com o Conservatório para o ensino articulado da música – Escola de Referência. O aluno no ensino regular será incluído numa turma dedicada, com alunos que frequentem o Conservatório de Música, podendo, desta forma, articular horários de aulas, frequências, audições ou outras actividades. No ano lectivo 2008/2009 foram celebrados três protocolos com três escolas do distrito de Viseu; Escola Grão Vasco e Colégio da Via-Sacra em Viseu e Escola Ana de Castro Osório em Mangualde. Podem ingressar no 1ºgrau do ensino básico, em regime articulado, os alunos que se encontrem no 5ºano de escolaridade. Excepcionalmente poderão inscrever-se alunos do 6 ou 7ºanos de escolaridade, salvaguardando que o desfasamento não seja superior a dois anos. Poderão ingressar no curso secundário, em regime articulado, os alunos que tenham completado o curso básico e estejam inscritos no ensino secundário.

REGIME SUPLETIVO

Portaria 1550/2002 - 26 de Dezembro, Despacho n.º 18041/2008 – 4 Julho de 2008. Podem ingressar neste regime os alunos que não reúnam condições para frequentar o regime articulado, e que se encontrem a frequentar o ensino básico ou secundário e não tenham idade superior a 18 anos. O desfasamento relativamente ao ensino regular não pode ser superior a dois anos.

CURSO LIVRE

Pode ingressar neste regime qualquer aluno que assim o entenda. Este curso tem total flexibilidade de currículo, não conferindo qualquer habilitação.

ELEMENTOS HUMANOS E MATERIAIS DA ESCOLA

O Conservatório Regional de Música de Viseu «Dr. José de Azeredo Perdigão» é uma escola de ensino vocacional da música com autorização de funcionamento e com paralelismo pedagógico dos cursos aqui ministrados, conferido pelo Ministério da Educação.


ESPAÇOS

Trata-se de um edifício reconstruído (Solar de Prime) com 17 salas de aula.

OUTROS ESPAÇOS
Secretaria
Gabinete da Proviseu
Gabinete da Direcção Pedagógica
Gabinete do pessoal não docente
Biblioteca
Café do conservatório
Auditório
Casas de banho e balneários
Arrumos diversos
Recreio ao ar livre

Rés-do-chão preparado para receber alunos portadores de deficiências


EQUIPAMENTO

De reprografia, de audio-visuais, de instrumental orff, de instrumentos específicos, de informática.

 

PESSOAL DISCENTE

1997/1998
Articulado
Supletivo
Outros
Livre
Iniciações
...
...
42
...
Básico
14
112
...
3

Complementar

...
29
...
...
Total
14
141
42
3
Total Geral
219

2004/2005
Articulado
Supletivo
Outros
Livre
Iniciações
...
...
55
...
Básico
32
57
...
28

Complementar

1
17
...
...
Total
33
74
55
28
Total Geral
190

2008/2009
Articulado
Supletivo
Outros
Livre
Iniciações
...
...
70
...
Básico
148
63
...
24

Complementar

...
21
...
...
Total
148
84
70
24
Total Geral
326

PESSOAL NãO DOCENTE
Administrativos
Auxiliares da Acção Educativa
2
3

PESSOAL DOCENTE
1997/1998
C/hab.
S/hab.
Total
Total Geral
Formação Musical
3
3
6
28

História da Música

1
...
1
Acústica
...
1
1

Análise e Técnicas de Composição

1
...
1
Piano
4
3
7
Acordeão
1
...
1
Violino
3
...
3
Violoncelo
1
...
1
Guitarra
1
2
3
Flauta Transversal
1
...
1
Saxofone
1
...
1
Canto
1
...
1
Acompanhador
1
...
1
1997/1998– 54 %residente fora do concelho de Viseu
2004/2005
C/hab.
S/hab.
Total
Total Geral
Formação Musical
5
...
7
22

História da Música

1
...
1
Acústica
1
...
1

Análise e Técnicas de Composição

1
...
1
Piano
5
1
6
Acordeão
2
...
2
Violino
3
...
3
Viola de Arco
1
...
1
Violoncelo
1
...
1
Guitarra
2
...
2
Flauta Transversal
1
...
1
Clarinete
1
...
1
Saxofone
1
...
1
Canto
1
...
1
Acompanhador
1
...
1

2004/05 – 36 %residente fora do concelho de Viseu / 2005/2006 - 50% residente fora de Viseu

2008/2009
C/hab.
S/hab.
Total
Total Geral
Formação Musical
3
2
5
35

História da Música

1
...
1
Acústica
1
...
1

Análise e Técnicas de Composição

1
...
1
Piano
5
...
5
Órgão
1
...
1
Acordeão
3
...
3
Violino
3
1
4
Viola de Arco
1
...
1
Violoncelo
1
...
1
Contrabaixo
...
1
1
Guitarra
2
1
3
Guitarra Portuguesa
1
...
1
Flauta Transversal
1
...
1
Clarinete
1
...
1
Saxofone
1
...
1
Trompete
1
...
1
Trombone
1
...
1
Canto
2
...
2
2008/09– 30 %residente fora de Viseu

Com este Projecto Educativo pretende-se promover a Escola como espaço educativo e cultural, facilitador do sucesso escolar dos alunos e de realização profissional de docentes e não docentes.

 

OBJECTIVOS GERAIS

1. Contribuir para que a Escola venha a ser cada vez mais um espaço de bem estar para todos os intervenientes;

 

2. Proporcionar um ensino de qualidade;

 

3.Promover novos cursos de instrumento e desenvolver classes instrumentais que têm um número reduzido de alunos;

 

4. Fomentar e desenvolver a prática da música de conjunto;

 

5. Promover a abertura da Escola ao meio em que se encontra inserida, desenvolvendo a colaboração com diferentes parceiros culturais, sociais e educativos;

 

6. promover e aprofundar relações estratégicas com escolas de ensino regular com as quais o Conservatório tem, ou possa vir a ter protocolos para desenvolver o ensino articulado da música;

 

7. Proporcionar o contacto com outros saberes musicais através de visitas de estudo, intercâmbios, ou master-classes;

 

8. Desenvolver iniciativas que promovam artisticamente os alunos e professores do Conservatório;

 

9. Promover e estimular a realização de iniciativas que visem melhorar as condições de trabalho, o clima das relações humanas e a qualidade de equipamentos e serviços;

 

10. Promover a igualdade de oportunidades de sucesso escolar, nomeadamente através de medidas que contribuam para compensar desigualdades económicas/sociais e resolver dificuldades específicas de aprendizagem e integração escolar;

 

11. Fomentar o intercâmbio de saberes e culturas, estabelecendo relações interdisciplinares e o contacto com outras realidades sócio-culturais;

 

12. Realizar seminários, ciclos de conferências e concertos, ou aulas abertas dirigidas a toda a comunidade educativa e ao público em geral .

 


OBJECTIVOS CURRICULARES

1. Proporcionar uma prática musical diversificada, permitir ritmos de aprendizagem individualizados, facilitar a integração nos níveis que mais se adequem à progressão;

 

2. Contribuir para o desenvolvimento de capacidades nas áreas de expressão e comunicação que favoreçam a sociabilidade e estimular a criação musical espontânea e o seu desenvolvimento racional;

 

3. Promover o desenvolvimento da educação estética e a compreensão do fenómeno musical na sua globalidade;

 

4. Permitir a cada indivíduo aumentar os seus conhecimentos e desenvolver as suas potencialidades, em complemento da formação escolar ou em suprimento da sua carência;

 

5. Criar no aluno motivos para aprender, para se aperfeiçoar e para descobrir e rentabilizar capacidades tendo em conta as suas fontes de motivação;

 

6. Valorizar a motivação como factor chave tanto no início do envolvimento com a música como na sua manutenção.

 

OBJECTIVOS DE COMPLEMENTO CURRICULAR

1. Contribuir para o enriquecimento cultural e cívico;

 

2. Fomentar a utilização de novas tecnologias para a aquisição e ampliação de conteúdos programáticos musicais;

 

3. Promover a utilização criativa e formativa dos tempos livres dos alunos;

 

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O Conservatório de Música de Viseu, Dr. José de Azeredo Perdigão, é apoiado pelo Ministério da Educação Ministério da Educação